23 de dezembro de 2009

Guardião das Cinzas

Não sei se gostam dessa minha mania de compartilhar a leitura, mas aqui vai mais uma. Essa é do livro de David Pace (citação completa no final) sobre as “aventuras” intelectuais de Claude Lévi-Strauss, segundo o autor, sua a vida foi sem tanta agitação, tirando suas viagens pelo mundo, se comparar com a vida de Jean-Paul Sartre. É um trabalho de introduzir o leitor ao pensamento estruturalista do antropólogo, bem como seus diálogos com outros autores: as influências e os combates intelectuais.

Eis aqui um parágrafo sobre sua apresentação contra a noção de direitos humanos.


Em maio de 1979, Lévi-Strauss transferiu seu relativismo para outra esfera, intimamente relacionada, e negou à sociedade a prerrogativa de impor a sua noção de direitos humanos a outra. Quando lhe pediram que prestasse declarações perante um comitê da Assembléia Nacional Francesa que estuda uma nova lei sobre direitos, apresentou uma tese, por escrito, em que argumentava que as nossas noções sobre direito são o produto de determinado momento da história de determinando ponto de planeta e que elas não têm uma validade universal. Em seus comentários, que foram publicados de forma ampliada em La Reveu des Deux Mondes e traduzido em New Society, criticou a Declaração Internacional dos Direitos Humanos de 1948, dizendo que ela não fazia sentido para as sociedades subdesenvolvidas e que, “suportar um regime de trabalho forçado, racionamento de comida e controle de pensamento poderia até mesmo parecer libertação para pessoas privadas de tudo”. (Pág. 340)


PACE, David. Claude Lévi-Strauss, O Guardião das Cinzas. Trad. Maria Clara Fernandes. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1992.

19 de dezembro de 2009

Revolução lúdica

Final de ano é o esgotamento físico-mental de todos os nossos esforços, seja por trabalho ou estudo. Tanta coisa que se acumula durante os dias. A esperança é relaxar nas férias, mas não devia ser assim. Nunca deveriamos sentir esse mal-estar.

Olhando minha minúscula biblioteca, peguei um livro e li uma passagem interessante, uma proposta para resolver isso. Recomendo a leitura do livro, é divertidíssimo.


Ninguém jamais deveria trabalhar. O trabalho é a fonte de quase todos os sofrimentos no mundo. Praticamente qualquer mal que se possa mencionar vem do trabalho ou de se viver num mundo projetado para o trabalho. Para parar de sofrer, precisamos parar de trabalhar. Isso não significa que precisamos parar de fazer coisas. Significa criar um novo estilo de vida baseado na brincadeira; em outras palavras, uma revolução lúdica”.

BLACK, Bob. A abolição do trabalho. In: BLACK, Bob. Groucho-Marxismo. Trad. Michele de Aguiar Vartuli. São Paulo: Conrad, 2006.

14 de dezembro de 2009

_ sem nome e sem número.

Morreu, um tiro na cabeça. Além de deixar a mulher viúva e os filhos órfãos, deixou um recadinho para todos os conhecidos num pedaço de papel sobre a mesinha:

Para todos que me conhecem,

Pronto, estou morto. O último pedido que peço para vós é escrever em minha lápide: “Odeio vocês. Agora que estou morto quero mais é que se fodam!”

Atenciosamente,
Mário.

11 de dezembro de 2009

um outro ponto

Algumas pessoas dizem que olhar para dentro de si, bem no âmago do seu eu-interior, é bom para a saúde. Pois levar susto faz o coração bater mais acelerado.

5 de dezembro de 2009

um ponto

O Buda Verde quase jogado as traças, pura falta de tempo... Passo aqui para uma mensagem rápida, ou melhor, uma reflexão atordoada (por culpa dessa vida, é claro):

A existência do existir é, por vezes, imperdoável.

11 de novembro de 2009

Sympathy for the Rolling Stones

Pedras que rolam não criam musgo. É justamente por isso que nada pára The Rolling Stones. Em casa ou na rua é sempre bom de ouvir.

Separei uns vídeos bacanas. Cheers!

Não existe música que se compare com Sympathy for the Devil.



Paint it Black é clássica demais para ficar fora. Esse vídeo é bem legal. Bem legal mesmo.



Vale a pena assitir Ruby Tuesday para ver o Brain Jones tocando flauta.

7 de novembro de 2009

Lévi-Strauss (1908-2009)

Senti uma tristeza com a morte do etnógrafo Claude Lévi-Strauss. Tinha escrito um textinho, coisa boba, diferenciando Claude Lévi-Strauss do Levi Strauss. Pois quando se estuda etnografia alguém sempre confunde o primeiro pelo segundo, talvez para provar sua indiferença ou ignorância. Tempo atrás, neste espaço, disse que gostaria de ler “Tristes Trópicos” com o autor ainda em vida. Este ano não li apenas “Tristes Trópicos”, como ainda “Totemismo Hoje” e outros artigos e trechos de outras obras (por exemplo: “Antropologia Estrutural”, “As Estruturas Elementares do Parentesco”). Inclusive assisti o documentário “Claude Lévi-Strauss por ele mesmo” no festival no Rio 2009.

Sua morte deixou um vazio etnográfico.

4 de novembro de 2009

Quotidiano em imagens #1

Andando em Niterói defronto-me com o letreiro d'um restaurante… Um trocadilho cafona muda todo o dia de uma pessoa.
[Foto minha.]

28 de outubro de 2009

Once upon a time in Nazi occupied France...

Bastardos Inglórios é um puta filme! Quando vi o cartaz na porta do cinema me interessou, pois é um cartaz esteticamente bem feito e fora, ainda, que o titulo é maravilho. Quando vi que era do Quentin Tarantino fiquei com mais vontade de ver, apesar de ter achado Death Proof muito fraco. Bastardos Inglórios é uma obra-prima!

Recomendo.

20 de outubro de 2009

{ Lies! }

Quando a cidade do Rio foi eleita para ser a sede das Olimpíadas alguém, nem que seja por algum segundo, imaginou que a violência voltaria consternar, como foi nesse fim de semana? E, o Estado está preparado para dar segurança para sua população e para os que vieram para assistir a Olimpíadas? Insisto: está? Um helicóptero abatido por traficantes é significativo para, então, ruminarmos que, talvez, estamos em guerra? Ninguém acha isso estranho? E aí, meu amigo, o que será de nós? Já se perguntou isso?

O futuro é nebuloso...

Pode não fazer muito sentido, mas lembrei dum trecho da canção Rebellion (Lies) do Arcade Fire, ainda quando vejo esse otimismo para as olimpíadas e com essa guerra acontecendo apenas alguns metros da minha residência (se for inteligível meu senso de humor):

Scare your son, scare your daughter.
Now here’s the sun, it’s alright! {Lies!}
Now here’s the moon, it’s alright! {Lies!}
Now here’s the sun, it’s alright! {Lies!}
Now here’s the moon it’s alright! {Lies!}

obs: preenchi a lacuna do outro post, acho que era o que faltava – infelizmente.